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22 de novembro de 2017

A VIAGEM DOS ALIMENTOS NA HISTÓRIA.




DESCRIÇÃO DA PROPOSTA DE ATIVIDADE:



            Nesta postagem do Blog Pensando Alto serão apresentados textos escritos pelos alunos do Curso de Redação e Roda de Leitura para Colaboradores do Supermercado Zona Sul, cujo objetivo do trabalho foi conhecer a história e a viagem dos alimentos a partir das Grandes Navegações iniciadas no século XV/XVI.
            O tema foi abordado através de uma aula expositiva e teve como alicerce o livro: A viagem dos alimentos. As trocas entre os alimentos. (escrito por Janaína Amado. Luiz Carlos Figueiredo). Após conhecermos a trajetória dos alimentos mais presentes no cotidiano dos brasileiros, os alunos puderam observar e refletir sobre a importância das trocas comerciais e culturais intrínsecas no encontro entre as civilizações da Europa, da África, da Ásia e da América.



            A partir da leitura de trechos selecionados do livro, os alunos tiveram que resumir e organizar o conteúdo da aula tendo como base os seguintes eixos:
a) A revolução do século XVI: apresente as principais mudanças que contribuíram para as trocas entre os continentes.
b) O que os europeus trouxeram? Apresente alguns alimentos e sua importância econômica para a Europa.
c) Os alimentos americanos. Apresente a importância de dois alimentos para os nativos americanos e a impressão que os europeus tiveram ao conhecê-los.
d) Conclusão. Destaque de que forma a viagem dos alimentos contribuiu para transformação dos hábitos alimentares e culturais dos europeus e dos nativos da América.
            No segundo momento da aula, sob a conjuntura das modificações ocorridas a partir do desenvolvimento da sociedade capitalista industrial, surgida a partir do século XVIII, os alunos observaram o avanço do setor de distribuição de produtos e a mudança na cultura e nos hábitos alimentares até a criação dos supermercados nos anos de 1930, e do próprio Zona Sul, fundado pelos irmãos e imigrantes italianos: Francesco Leta e Mario Leta em 1959.
            Como proposta de atividade foi realizada uma apresentação sobre o tema: A viagem contemporânea dos alimentos. Quais são os produtos que mais agradam os clientes? Os nacionais ou importados?
            O trabalho feito em grupo teve como objetivo a construção de um texto narrativo sobre um produto nacional e um produto importado vendido no Zona Sul e escolhido de forma livre pelos alunos, de qualquer sessão, do qual fosse observado maior expressão de venda.
O roteiro abaixo apresenta as etapas da atividade:
  1.  Escolha uma seção de sua responsabilidade, que está presente na função diária de solicitação de pedidos na loja, para exemplificar no texto um produto nacional e importado de maior venda.
  2.  Apresente um argumento para justificar a razão da maior procura do produto mais vendido na seção pelos clientes.
  3. Conclua procurando responder as seguintes questões: quais são os produtos que mais agradam os clientes? Os nacionais ou os importados?
Acompanhe a seguir essa história contada aos olhos de quem trabalha no setor de distribuição e varejo e teve a oportunidade de viajar no tempo para conhecer a trajetória dos alimentos!Boa leitura!






A viagem dos alimentos: resumo.
(Autor: Alex Nunes de Oliveira)



            A partir do século XV iniciou-se uma revolução, que acabaria atingindo cada ser humano do planeta.
            A revolução alimentar dos povos se deu ela introdução de novos ingredientes e temperos. Os produtos já existentes na Europa, muitos de origens asiáticas ou africanas, foram trazidos para a América, outros foram transportados da América para a Europa, África, Ásia, e atravessaram a terra inteira! Como o coqueiro, nativo da Ásia, e é a árvore que hoje é símbolo das praias do nordeste.
            Esse processo de mundialização foi a maior revolução nos hábitos alimentares humanos ocorridos durante o período moderno. A introdução dos alimentos europeus na América foi quase simultânea a chegada dos colonizadores ao continente. Os europeus plantaram vegetais que já conheciam e consumiam, utilizando técnicas familiares de plantio e manejo.
             Com o aumento do intercâmbio de alimentos entre os continentes também mudaram os padrões alimentares de cada região, alterando profundamente os costumes e até mesmo ávida social dos povos. O sucesso das plantas americanas foi tal que, os africanos morreriam hoje de fome sem a mandioca e o milho.
            A introdução e a difusão dos bois, vacas, porcos, ovelhas, cabras e galinhas na América, e a batata, milho e tomate na Europa, alteraram as economias regionais, mudando técnicas, hábitos alimentares e crenças.


O nosso pão de cada dia.
(Autor: Michel Silva)



Como será que começou à minha história?
Eu comecei a ser inventado lá no inicio do século 20A. C, na região da Mesopotâmia, onde hoje em dia é o Iraque.
Nessa época tinha fartura de plantação de trigo e deram inicio a minha chegada ao mundo.
No começo eu não tinha muita forma. Era rústico e um pouco feio. Tenho que admitir!
Me usavam até como meio de pagamento de serviços prestados.
Logo depois, chegaram os meus anjos: os profissionais que iriam começar a me transformar em quem sou hoje. Eles eram chamados padeiros!
Em 1910, foi a minha vez de desembarcar no Brasil. Essa terra linda! “Tudo que se planta dá”. Por aqui, aí sim, estou feliz!
Foram me evoluindo dia a dia. Ganhei um belo nome: pão francês.
Com o decorrer do tempo amadureci e me tornei um lindo pãozinho, charmoso e também muito gostoso. Branquinho ou moreninho me transformei no alimento mais vendido do mundo!
Atualmente, estou em 96% das casas dos brasileiros.
Agradeço imensamente aos meus padeiros elegantes. Esse nosso casamento nunca acabará!
Como será que diria um grande padeiro:
- Ah pãozinho lindo em minha vida! Você nunca morrerá!



A viagem dos alimentos 2
(Autor: Denis Rocha)



            A viagem dos alimentos teve inicio no final do século XV e inicio do XVI, com as viagens entre a Espanha e as Antilhas. Com ela, os espanhóis, africanos e asiáticos tiveram acesso a uma grande variedade de alimentos, sendo eles: a batata inglesa, o milho, a batata doce, o tomate. Dando aos povos uma nova oportunidade de enriquecer nutritivamente as refeições.
            A troca de alimentos entre os continentes favoreceu ambos os lados, pois muitos desses novos legumes transformaram os hábitos alimentares das civilizações se tornando itens essenciais para suportar períodos de fome.
            Frutas e animais se incluíram na alimentação do dia a dia, trazendo muitos benefícios nutritivos como vitaminas e proteínas. Novos conceitos e técnicas foram difundidos e propagados pelo mundo levando benefícios e aumentado a produção em escalas bem maiores.
            Muitas vantagens obtivemos com a viagem dos alimentos. No entanto, com o avanço das cidades e da população precisamos atentar para qualidade da produção alimentar que vivemos hoje, onde se usa uma grande quantidade de químicos para garantir a maior parte da colheita sem esquecendo de cultivar alimentos mais saudáveis.


TRABALHO EM POWER POINT:
















TRABALHO EM POWER POINT:












9 de novembro de 2017

CURSO DE REDAÇÃO E RODA DE LEITURA PARA COLABORADORES DA REDE ZONA SUL.

CRÔNICAS DA VIDA.



            A crônica é um gênero textual narrativo que tem como objetivo relatar os acontecimentos e fatos do cotidiano. Este tipo de texto é muito comum  de ser encontrado em colunas de jornais e revistas, onde os cronistas escrevem histórias do dia a dia, utilizando uma linguagem leve cuja intenção é captar o leitor com narrativas comuns a realidade diária.
            Durante o curso de Redação e Roda de Leitura, os colaboradores exercitaram a escrita livre e o olhar sensível,  como bons cronistas, criando textos que envolvem a rotina do trabalhador, o ambiente de trabalho, e a insegurança frente à falta de uma política de segurança eficaz na cidade do Rio de Janeiro.

Confira!

O dia a dia do trabalhador.
Autor: Michel Silva


            Quem pensa que a vida do trabalhador é fácil?
            Carlos acorda todo dia às três da manhã quando seu telefone desperta. Como todo trabalhador, demora mais uns trinta minutos para levantar criando aquela coragem para entrar no banho. Levanta, e logo depois de tomar uma bela ducha de água quente e se arrumar, já com a roupa de trabalho, Carlos dá um beijo em seu filho Joaquim e segue para a segunda etapa do dia.
            Por volta das quatro e meia da manhã, Carlos anda uns trinta minutos em meio a escuridão e ventos sombrios até chegar ao primeiro ponto de ônibus. Entra na estação, e como de costume, é recebido com aquele bom dia por Paulo, o segurança da estação.
Carlos retribui o bom dia, e em seguida continua a viagem no primeiro ônibus.
            Depois uma hora no coletivo, que vai enchendo a cada parada, até Carlos não poder se levantar, é preciso ficar de pé para não perde o ponto.
            Por volta das seis da manhã, Carlos desce do primeiro ônibus e pega a segunda condução. E em trinta minutos chega ao destino: a empresa em que trabalha.
            É lá que com muito orgulho ele passa oito horas do dia trabalhando, em meio aos grandes desafios que a profissão lhe proporciona. A cada dia que passa na empresa, Carlos conhece pessoas maravilhosas, desde clientes a colaboradores.
            No final de mais um expediente, ele sai com a sensação de dever cumprido.
            E amanhã será um novo dia para o trabalhador.

A Loja
Autor: Renato Penha



            Estava tudo parado! Tudo engarrafado na Avenida Brasil, não importava qual condução pegar: trens, táxi, ônibus, Uber. Até mesmo um helicóptero, pois não teria onde pousar. É sempre assim! Tudo engarrafado! E ainda continuo no mesmo lugar. Mas sei que vou chegar na minha loja, que fica logo ali, em Ipanema, perto do metrô, do lado da Loja Americana, número 504. Viu?! Não é difícil de chegar!
            Dez passos da calçada é o que o cliente leva até a Loja. Até isso eu sei.
            A Loja não é tão grande, mas vende muito! É muito bem localizada: no coração de Ipanema! Tem uma bela exposição de orquídeas de todas as cores. E o cheirinho?! De croissant! Que é assado na hora.
            São duzentos e dez colaboradores. Esse é o efetivo da loja. Uma parte trabalha no açougue, outra no laticínio, na padaria, na pizzaria e nas demais seções para melhor atender nossos clientes.
É a Loja dos ovos de ouro! Quando a loja vai bem com certeza a empresa está bem. Mas quando vai mal... Não param de ir diretores, compradores gente do alto escalão, para ver o porquê dos resultados. Loja grande vende muito e também demanda muito trabalho. São tantos afazeres que quando vejo já está na hora de ir para casa. Porém, quando saio, vejo alegria de cada colaborador por receber aquele dinheirinho extra.
            A Loja não mudou de endereço e continua no mesmo lugar. Sei que um dia vou ser transferido como muitos que passaram por aqui. Mas de uma coisa eu sei: a loja vai sempre estar de braços abertos para todos os perfis de colaboradores, fornecedores e clientes.


Achei que fosse vida real, mas não passava de cena de novela.

Autora: Vânia Leila



            Alguns dias atrás eu estava assistindo ao noticiário do Jornal Nacional e fiquei perplexa ao ver a situação do confronto entre bandidos na Rocinha, que estavam brigando pelo controle do poder na comunidade.
            O governo federal resolveu agir enviando tropas militares para ajudar na captura desses delinquentes, e tentar levar um pouco de paz para a maior comunidade da América Latina.
            Confesso que fui dormir impressionada com os tiroteios e com a situação de pânico que os moradores estão vivendo.
            No dia seguinte, voltando para casa depois de uma rotina cansativa de trabalho, me deparo com vários ônibus de cores pretas estacionados na rua principal de onde moro. Achei aquilo muito estranho. Primeiro, pelo fato de estarem enfileirados na principal rua de Curicica, e segundo por não serem ônibus comuns de passageiros.
            Quando entro na rua que dá acesso a minha casa, vejo em torno de cinquenta policiais, muito bem armados, de toucas pretas e conversando alegremente. Aquela cena me assustou. Na mesma hora pensei: “Será que está acontecendo aqui a mesma invasão de bandidos que houve na Rocinha e a policia veio intervir?”
            Entrei imediatamente na padaria da esquina e perguntei assustada a moça do balcão o que estava acontecendo, e ela então respondeu sorrindo:
            - Não se preocupe! É apenas uma gravação da novela da Globo.
            Na hora comecei a gargalhar aliviada, mas depois bateu uma tristeza enorme em pensar que ali era apenas uma gravação, e na comunidade da Rocinha acontece aquela dura realidade.


18 de agosto de 2017

O HISTÓRICO DO CURSO DE GASTRONOMIA NO BRASIL.

Um texto interessante retirado do Trabalho de Conclusão de Curso de Lílian da Silva Leon, orientado por Clarissa F. do Rego Barros para o curso de pós-graduação em docência no Ensino Superior da Universidade Estácio de Sá, intitulado: “O PROFISSIONAL DA GASTRONOMIA E A INSERÇÃO DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR. UMA ANÁLISE SOBRE A RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA”.

Verão,óleo sobre tela do italiano ARCIMBOLDO,Giuseppe.1573.



A História da alimentação tem no homem pré-histórico um passado que exemplifica um cotidiano alimentar voltado para a caça, pesca, coleta de frutos, raízes e folhas. O tipo de alimento e forma de se alimentar contribuíram para a evolução da espécie humana, conforme Lody (2008: 32)[1], a descoberta do fogo determinou profunda transformação e avanço na vida humana. A distinção entre o cru e o cozido dá nova dimensão ao homem no diálogo do natural com o cultural, ou seja, em toda ação que, modificando a natureza, permite descobrir o que é tecnologia, técnica, instrumento para tratar o que oferece essa mesma natureza. O fogo amplia as opções dos alimentos melhorando e qualificando o que se come.
Com o avanço da História, do surgimento de novas tecnologias, e as mudanças constantes no ambiente ocorridas de forma natural ou por transformações realizadas pelo homem, novas influencias repercutiram na alimentação de todas as pessoas, que vivem em realidades diferenciadas.
“A natureza, sem dúvida, é a grande matriz doadora de alimentos e as culturas traduzem essas opções de diferentes maneiras, criando tipos de cardápios, receitas, soluções de gosto, de prazeres de ver, sentir odores, paladares e, finalmente ingerir, comer”. (LODY, 2008: 32)
No século XVIII a cozinha profissional francesa atingiu seu apogeu, marcando o inicio da Gastronomia, como a arte ou ciência que exige conhecimento e técnica de quem a executa e formação do paladar de quem a aprecia. Os cinco sentidos são solicitados em sua completude durante o consumo gastronômico. A gastronomia existe porque além da necessidade de se alimentar, o homem é um animal estético e, sobretudo, um ser social vivendo em comunidade.
A palavra “gastronomia” foi criada por Arquestratus no século IV a.C., pesquisador dos prazeres da mesa, originária dos termos gregos gaster (estômago) e nomo (lei), cuja tradução literal é “as leis do estômago”. O termo adquiriu um caráter mais abrangente no século XVIII, com BrillatSavarin, um estudioso francês, amante da boa mesa.
“Quando o homem aprendeu a cozinhar os alimentos, surgiu uma profunda diferença entre ele e os outros animais. Cozinhando, descobriu que podia restaurar o local natural da caça, acrescentar-lhe sabores, e torna-la mais digerível. Verificou também que as temperaturas elevadas liberam sabores e odores, ao contrário do frio, que os sintetiza ou anula. Percebeu ainda, que cocção retardava a decomposição dos alimentos, prolongando o tempo, em que podiam ser consumidos. Identificava assim, a primeira técnica de conservação”. (FRANCO, 2001:16)[2]
A cocção, as primeiras técnicas de conservação dos alimentos e, sobretudo, diferentes fatores históricos influenciaram os hábitos alimentares e a elaboração de novas culturas alimentares.
No século XV/XVI, as trocas alimentares, e a presença das especiarias na alimentação, como temperos, frutas, óleos, influenciaram nas maneiras de preparar carnes de pescados, e ainda nas tecnologias de assar, fritar, cozinhar e incluir ingredientes crus, apontavam para a geração de novas cozinhas, de novas relações com o profundo ato biológico e simbólico que é o de comer. (LODY, 2008:37)
Os hábitos alimentares também se relacionam diretamente com a regionalidade, transformando a cultura popular, promovendo a socialização através das festas e dos pratos típicos. No entanto, o gosto que muitos acreditam ser próprio, é uma constelação de extrema complexidade na qual entram em jogo, além da identidade indissiocrática, fatores como: sexo, idade, nacionalidade, religião, grau de instrução, nível de renda, classe e origem sociais. (FRANCO, 2011: 25)
Conhecer as raízes da culinária nacional permite a compreensão da História e das origens culturais de uma nação. O frango, tal como o milho, a mandioca e os vegetais, são patrimônios culturais da América e estão totalmente ligados ao povo brasileiro. A mandioca é um alimento muito consumido pelos indígenas, que foi incluído no cardápio português após a colonização.
Com a industrialização, no século XVIII, surgiram os produtos em conserva, como forma de ampliar o mercado de alimentos, acelerando o consumo e transformando a cultura alimentar e os hábitos da sociedade. A comida era preservada para durar meses em recipientes lacrados. Este foi um período da História européia, onde a Revolução Industrial impulsionou o neocolonialismo na África e Ásia em busca de matéria-prima, mão de obra barata e mercado consumidor, tendo em vista a ampliação das relações capitalistas industriais.
A busca predatória dos países europeus por mercados consumidores e matérias-primas em outros continentes desencadeou conflitos armados. Garantir a comida dos soldados se tornou uma preocupação central dos países imperialistas. Em 1795, o governo francês ofereceu um prêmio a quem desenvolvesse uma maneira de conservar comida. O produto deveria ser barato, fácil de transportar, saboroso e nutritivo. O jornalista Tom Standage (2010)[3], autor do livro “Uma história comestível da humanidade”, conta que era comum  que o alimento sofresse uma rápida decomposição nos primeiros produtos em conserva. A sociedade da época vivia a ideia da “geração espontânea”, e demorou a compreender a importância da higiene e da descontaminação nos produtos industrializados.
Nicolas Appert, um chef de cozinha da época, ganhou o prêmio e conseguiu aperfeiçoar a tradicional ração militar de carne salgada e biscoitos secos. A técnica criada por ele, determinava que as substâncias que deveriam ser preservadas eram colocadas nos frascos ou garrafas e fechados com cuidado, pois o sucesso dependia, principalmente, da vedação. Depois, os produtos eram submetidas à ação de água fervente, em banho-maria. “Ele listou os tempos necessários para ferver diferentes alimentos, o que durava horas. Inventou seu método a partir de experimentos e não tinha ideia de por que ele funcionava”, conta Standage (2010).
Assim surgiram os primeiros alimentos em conserva, e o mundo foi se adaptando a esta nova forma de alimentação.
E no século XX, após a 2ª Guerra Mundial, embora a conjuntura mundial tenha iniciado tempos de bipolaridade política[4], os EUA saem da guerra como um país de liderança no mundo capitalista, cujo objetivo é solidificar a hegemonia através da imposição do “América Way of Life[5]. E neste cenário começam a aparecer a sociedade dos fast foods. O hambúrguer, a batata frita e refrigerante surgiram na década de 1950 nos Estados Unidos, transformando o ritmo de vida das pessoas, acelerando o tempo em função do avanço da indústria, ditando o tempo das refeições a partir do tempo do trabalho.
O professor titular de História do Brasil e coordenador do grupo de pesquisa de História e Cultura da Alimentação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Antunes, explica que a velocidade do cotidiano e passou a ser associada à necessidade de não perder dinheiro, a alimentação vira uma parte trivial da rotina. “É nessa época também que as refeições deixam o ambiente doméstico – por conta da popularização do carro, as famílias começam a comer fora”, complementa Antunes. E de fato, os irmãos McDonald foram pioneiros neste quesito. Depois de consolidados nos Estados Unidos, conquistaram a Europa da década de 1970 e em seguida o resto do mundo.
Na Europa, o cenário foi semelhante aos EUA. Os anos 1950 representaram uma transformação na sociedade. Surgiram, em especial na França, os bistrôs, que têm um número menor de pratos no cardápio e são conhecidos por servirem refeições mais rapidamente.
Atualmente, a ideia do capitalismo sustentável em oposição ao capitalismo predatório, tenta amenizar os impactos no meio ambiente através de mudanças nos hábitos cotidianos e alimentares da sociedade. Alimentação saudável, com verduras e legumes orgânicos, exercícios físicos regulares, retomam os cuidados com a saúde criando novas tendências de mercado e aos segmentos alimentícios. “É uma tentativa que os restaurantes fast-food estão fazendo para se readaptar ao perfil do consumidor de hoje”, finaliza Antunes.
Até o século XIX a história da alimentação foi muitas vezes confundida e limitada apenas à história de alguns alimentos. Entretanto, “o gosto diferenciado é o que caracteriza os diferentes povos e as diferentes épocas de uma mesma cultura”. Por meio do aprimoramento de técnicas e criações culinárias, que refletem a expressão “técnica material e inventividade artística”, podemos identificar a maturidade de uma cultura (CARNEIRO, 2003, p. 124-125)[6]. O conhecimento acumulado pela humanidade das técnicas e criações culinárias, seja por meio de manuais e livros de receitas, seja pelas informações transmitidas de geração a geração, passou a ser ensinado, a partir do século XIX, de maneira sistematizada nas escolas de Gastronomia.
Embora a presença de um chef de cozinha não seja obrigatória nos restaurantes do país, a demanda por esse profissional cresce a cada ano. Isso porque a forte concorrência do mercado exige que os estabelecimentos elaborem cardápios cada vez mais atraentes e ofereçam comida de qualidade. Além disso, o nível de exigência dos clientes também obriga a melhorar o nível dos serviços. Esse cenário se torna favorável para a ampliação dos profissionais formados em Gastronomia. Eles também são contratados para atuar como consultores na abertura ou reestruturação de restaurantes, e podem empreender, abrindo seu próprio negócio no ramo. Outra área que se destaca é a de catering, em que o profissional cria o buffet e cozinha em um evento. Existem até condomínios de luxo com área gourmet que contratam o chef para se encarregar do cardápio de festas nos finais de semana e durante as férias.
Tendo em vista a diversidade de profissionais da área de Gastronomia sob as diferentes demandas e frentes no mercado de trabalho, torna-se necessária uma reflexão sobre o perfil do gastrólogo para compreensão da importância da capacitação do docente em gastronomia.



[1] LODY, Raul. Brasil bom de boca: temas da antropologia da alimentação. – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008.
[2] FRANCO, Ariovaldo. De Caçador a Gourmet - Uma História da Gastronomia. Editora: SENAC: SP, 2001.
[3] SATANDAGE, Tom. Uma história comestível da humanidade. Zahar, SP: 2010.
[4] Este parte do texto tem como referência a vitória dos EUA e URSS na 2ª Guerra Mundial contra a Alemanha nazista. EUA  - potência capitalista, e URSS – potência  socialista, passam a disputar a hegemonia mundial na Guerra Fria, conflito político, econômico e ideológico que durara até o fim da URSS e a queda do Muro de Berlim no final da década de 1980.
[5] O exemplo do funcionamento do imperialismo norte-americana através da imposição cultural à outros países por meio da literatura, do cinema e da música. Os Estados Unidos souberam beneficiar-se da lacuna de poder aberta pela crise européia do pós-guerra, e passaram a exportar seu modo de vida, o “american way of life” (estilo de vida americano). Um modo de viver expresso no alcance da felicidade a partir do consumo de produtos industrializados: rádios, eletrodomésticos, aspirador de pó, comida enlatada, carro próprio, etc.

[6] CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro: Campus, 2003.