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22 de setembro de 2014
27 de agosto de 2014
REVOLUÇÃO VERDE, AGRICULTURA FAMILIAR: PARCEIROS NA ONDA DO CAPITALISMO SUSTENTÁVEL.
| Embora as pequenas propriedades sejam menos produtivas que as do agronegócio, elas geram maior proporção de alimentos para o consumo humano. Foto National Geografic Brasil. |
Quando o assunto é
agricultura no Brasil, como historiadora, costumo repensar o modelo colonial
brasileiro que solidificou a concentração de terras através dos latifúndios
voltados para a produção monocultura e exportadora, com mão de obra escrava: o plantation.
O
trabalho humano empregado na terra torna-se um ponto de discussão importante
neste processo antigo que sustenta nosso país e nossa sociedade com a produção
de alimentos para exportação como café, soja, cana de açúcar. Insumos tão
antigos quanto nosso modelo agroexportador, que no cenário contemporâneo tenta
se inserir na Revolução Verde, e como mola da produção de alimentos para os
brasileiros tem a agricultura familiar, que ganhou força com técnicas de
plantio tradicionais e trabalho familiar
A agricultura familiar
é responsável por 70% da produção de alimentos consumidos na mesa dos
brasileiros, ela é reconhecida como uma forma de viabilizar o desenvolvimento
local com sustentabilidade econômica, social e cultural.
No contexto de relações
de trabalho precarizadas, informais, temporárias, sem vínculo empregatício, e
do alto índice de desemprego, a agricultura familiar gera postos de trabalho em
número bem maior que a agricultura empresarial, se preocupa com a
sustentabilidade socioeconômica e ambiental e preserva as tradições e os
costumes locais.
O desafio da
agricultura familiar é atender a demanda por alimentos orgânicos no mercado dos
saudáveis, que tem aproximado cada vez mais o meio urbano do meio rural, e
aquecido as relações econômicas em ambos os pólos.
No diálogo do
tradicional com moderno, a agricultura familiar concorre com o movimento da
Revolução Verde. A chamada “Revolução Verde”, iniciada na década de 1960,
orientou a pesquisa e o desenvolvimento dos modernos sistemas de produção
agrícola para a incorporação de tecnologia no campo visando a maximização dos
rendimentos dos cultivos.
Segundo o site
do Globo Ecologia http://redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2012/09/revolucao-verde-foi-um-programa-de-expansao-da-produtividade-agricola.html
na reportagem especial sobre a Revolução Verde, o
uso de máquinas e insumos agrícolas para modelos extensivos de produção de
alimentos, fibras e bicombustíveis fez com que o setor desse um grande salto de
produtividade, mas trouxe também consequências negativas. Os pequenos
produtores que não conseguiram se adaptar às inovações e não atingiram
produtividade suficiente para se manterem na atividade, acabaram migrando para
as grandes cidades, movimento conhecido como êxodo rural.
O interesse deste movimento
verde no cenário internacional consiste na ampliação da produtividade agrícola
na Ásia e na América Latina através de variedades aperfeiçoadas de sementes e
ao uso intensivo de fertilizantes, irrigação e mecanização. A utilização destas
técnicas agrícolas, associadas com uso de métodos de cultivo de tecnologia
avançada tem como objetivo obter o crescimento da agricultura orgânica, e
multiplicar a produtividade nessas regiões.
No Brasil, o programa
de modernização agrícola teve início com força na década de 1970, a partir da criação
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1971. A ideia era atender à
necessidade de instrumentos mais eficientes e articulação mais eficaz. Na mesma
época foi reestruturado e dinamizado o sistema nacional de assistência técnica
e extensão rural, por meio da criação da Empresa Brasileira de Assistência
Técnica e Extensão Rural (Embrater). A Revolução Verde, além da questão da
pesquisa, envolvia um sistema eficiente de treinamento, assistência técnica,
extensão rural e crédito agrícola.
Revolução Verde e
Agricultura Familiar são modos de produção distintos no contexto da agricultura
contemporânea, mas tem um objetivo comum no capitalismo sustentável: a produção
de alimentos e a agricultura orgânica.
No capitalismo sustentável as empresas buscam ampliar o lucro procurando se adequar às exigências dos consumidores preocupados com o uso predatório do meio ambiente, por isso a necessidade da tecnologia, buscando uma ação menos degenerativa aos recursos naturais atingindo o consumo das classes média e alta.
Neste extenso debate, a Unesco propôs como tema de trabalho para as escolas, o ano da Agricultura Familiar, onde trabalhos escolares devem ser desenvolvidos com os alunos como forma de aprofundar o tema em questão.
Para
apresentação do Fórum anual de Ciências Humanas, um grupo de alunos do 9º Ano,
formado pelos alunos Beatriz A, Giovana, Juliana, Rhayssa, Thiago R do Colégio
Internacional Signorelli; sob minha orientação, ficou responsável em trabalhar com História Local e Oral com depoimentos dos pequenos produtores sobre a produção familiar.
Com o trabalho intitulado
“Agricultura familiar: sustentabilidade socioeconômica e ambiental para a
preservação das tradições e os costumes locais”, os alunos tiveram que pesquisar
sobre o cotidiano das famílias e a importância da agricultura familiar para a
vida dos produtores locais. Para realização do trabalho, foi necessário que os
alunos retomassem as raízes históricas do modelo de agricultura brasileiro
pautado no latifúndio, para então compreender a importância das cooperativas e
da produção familiar como uma nova oportunidade de trabalho para o pequeno
produtor.
Um trabalho de campo
foi realizado e entrevistas com os pequenos agricultores que semanalmente fazem
a feirinha na Praça da Freguesia aos sábados pela manhã. Os alunos tiraram
fotos e fizeram vídeos com os depoimentos para apresentar no Fórum, maquetes
sobre o modelo de agricultora familiar contrapondo o modelo de latifúndio, e
foram vestidos como pequenos produtores rurais, buscando apresentar a história
local e suas histórias de vida.
Confira o resultado do
trabalho de campo com o depoimento do trabalhadores rurais.
5 de agosto de 2014
Sobre o conflito em Gaza de Israel X Palestina
A Palestina apagada do mapa
In: Blog da
Boitempo:
Escrito por
Guilherme Boulos
Já passam de 1.200 palestinos mortos na
faixa de Gaza desde o dia 8 de julho. Entre eles centenas de crianças. Os
bombardeios de Israel não pouparam nem escolas e hospitais, supostamente “bases
para terroristas”. Ontem atacaram um abrigo da ONU, matando 19 palestinos. O
Comissário da Agência da ONU para os refugiados disse que crianças foram mortas
enquanto dormiam. Não satisfeitos, bombardearam também a única usina que
fornecia energia elétrica para Gaza.
Às escuras, sem refúgio seguro nem
hospitais e com cadáveres espalhados entre os escombros da destruição – este é
o retrato da faixa de Gaza.
É possível uma posição de neutralidade?
Só para os hipócritas. Neutralidade perante a barbárie e o genocídio equivale a
tomar posição a seu favor. Não há meio termo possível em relação a Israel.
O colunista desta Folha Ricardo
Melo teve a coragem de defender que a única solução para a questão é o fim do
Estado terrorista de Israel. Foi bombardeado pelos sionistas de plantão e pelos
defensores da neutralidade. E, como não poderia deixar de ser, acusado de
antissemita.
Um pouco de história faz bem ao debate.
O movimento sionista surgiu no final do
século 19, movido pelo apelo religioso de retorno à “Terra Prometida”, em
referência à colina de Sion em Jerusalém. A proposta era construir colônias
judaicas na Palestina, que então já contava com 600 mil habitantes. Ou seja,
não se tratava de uma terra despovoada, mas de um povo lá estabelecido há mais
de 12 séculos.
Nem todos os sionistas defendiam um
Estado judeu na Palestina. Havia formas de sionismo cultural ou religioso que
reconheciam a legitimidade dos palestinos sobre seu território. Albert
Einstein, por exemplo, foi um dos que rechaçou em várias oportunidades o
sionismo político, isto é, um Estado religioso na Palestina e contra os
palestinos.
No entanto prevaleceu ao longo dos
tempos a posição colonialista. Seu maior representante foi David Ben Gurion
que, diante da natural resistência dos palestinos, organizou as primeiras
formas de terrorismo sionista, através dos grupos armados Haganá, Stern e Irgun
– este último responsável por um ataque à bomba em um hotel de Jerusalém em
1946.
Os palestinos eram então ampla maioria
populacional, com apenas 30% de judeus na Palestina até 1947. Porém, por meio
das armas, a partir de 1948 – quando há a proclamação do Estado de Israel – a
maioria palestina foi sendo expulsa sistematicamente de seu território. Cerca
de metade dos palestinos tornaram-se após 1949 refugiados em países árabes
vizinhos, especialmente na Jordânia, Síria e Líbano.
A vitória militar dos sionistas só foi
possível graças ao contundente apoio militar de países europeus e dos Estados
Unidos.
Em 1967, Israel dá o segundo grande
golpe. Após o Presidente egípcio Abdel Nasser fechar o golfo de Ácaba para os
navios israelenses, os sionistas atacam com decisivo apoio norte-americano,
quadruplicando seu território em seis dias, tomando inclusive territórios do
Egito e da Síria. Desta forma bélica e imperialista – como corsários dos
Estados Unidos – Israel foi formando seu domínio.
Depois de 1967 foram massacres atrás de
massacres. Um dos mais cruéis – ao lado do atual – foi no Líbano em 1982. Após
invadir Beirute, as tropas comandadas por Ariel Sharon – que veio a ser
primeiro-ministro posteriormente – cercaram os campos de refugiados palestinos
em Sabra e Chatilla e entregaram milhares de palestinos ao ódio de milicianos
da Falange Libanesa. Após 30 horas ininterruptas de massacre, foram 2.400
mortos (de acordo com a Cruz Vermelha) e centenas de torturados, estuprados e mutilados
– incluindo evidentemente crianças, mulheres e idosos.
Hoje há 4,5 milhões de refugiados
palestinos segundo a ONU. Este número só tende a aumentar pela política
higienista de Israel.
Caminhamos neste momento em Gaza para o
maior genocídio do século 21. E há os que insistem no cínico argumento do
direito à autodefesa de Israel. Quem ao longo da história sempre atacou agora
vem falar em defesa?
Tudo isso perante a passividade
complacente da maior parte dos líderes políticos do mundo. O Brasil limitou-se
a chamar o embaixador para esclarecimentos. Foi chamado de “anão diplomático”
pelo governo de Israel e nada respondeu. Romper relações políticas e econômicas com Israel é uma atitude
urgente e de ordem humanitária.
A hipocrisia chega ao máximo quando
acusa os críticos do terrorismo israelense de antissemitas. O antissemitismo,
assim como todas as formas de ódio racial, religioso e étnico, deve ser
veementemente condenado. Agora, utilizar o antissemitismo ou o execrável
genocídio nazista aos judeus como argumento para continuar massacrando os
palestinos é inaceitável.
É uma inversão de valores. Ou melhor, é
a história contada pelos vencedores. Como disse certa vez Robert McNamara,
Secretário de Defesa dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, se o Japão
vencesse a Segunda Guerra, Roosevelt seria condenado por crimes de guerra
contra a humanidade e não condecorado com títulos e bustos pelo mundo. A história é contada pelos vencedores.
É possível que Benjamin Netanyahu,
comandante do massacre em Gaza, ainda receba o Prêmio Nobel da Paz. E que os
palestinos, após desaparecerem do mapa, passem para a história como um povo
bárbaro e terrorista.
* Publicado originalmente no
jornal Folha de S.Paulo, em 31 de julho de 2014.
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