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31 de agosto de 2007

Quebrando as regras!

Das belezas da famosíssima Copacabana, o Forte atrai olhares de todo o mundo e visitações turísticas durante a semana inteira. A Colombo completa o programa proporcionando a todos um cardápio delicioso e que vale a pena gastar um bom dinheiro, não só pela vista natural do bairro em que se encontra a confeitaria como também pela qualidade dos serviços. O forte oferece várias atrações e uma delas é a exposição sobre a História do Brasil sob o ponto de vista militar. Logo que entrei no último itém da exposição após ter passado pelos interiores do fortificações e ter visto alojamentos, enfermaria, balas, um maquinário extenso e também uma homenagem ao 18 do Forte - um dos acontecimentos mais estranhos e polêmicos da historiografia que inclui uma revolta de 18 cadetes mais um civil que aderiu a rebelião; cheguei a sala de colônia e república. Na entrada da exposição fui recebida com um painel dos 500 anos de história do Brasil celebrando o encontro dos índios com os portugueses, inclusive os portugueses foram interpretados pelo museu como militares a serviço da exploração dos novos territórios, e aí, os índios coitados, como na historiografia nacional, durante toda a exposição foram exterminados: primeiro pelos portugueses, depois capturados pelos paulistas com as bandeiras e por fim sumiram do mapa! Chocada, ainda tive que digerir a Guerra do Paraguai e condecorações a Duque de Caxias pela grande impreitada militar. A devastação do Paraguai pela aliança do Uruguai, Brasil, Argentina e Inglaterra foi tamanha, que sob os resquícios de um país devastado sobrevive uma população subempregada à serviço dos informalidade. A exposição não se encerrava por aí. Após a proclamação da república pelos militares viajei até as memórias de CASTELO BRANCO!!!SOCORRO!Arrasada com o memorial destinado ao nosso execelentíssimo presidente, caridoso e nada violento, resolvi sair correndo ao lembrar-me dos horrores da ditadura, do DOPS, das torturas e todos os movimentos sociais abafados pelos militares que ficaram no poder durante 20 anos (1964/1979)!!! Ao sair da exposição resolvi refletir sobre a vista natural que Copacabana possui, porque vangloriar milico NÃO DÁ!!Fatos históricos a parte, o importante é diversificar os sujeitos históricos.

23 de agosto de 2007

Pensando Alto...

O que é pensar alto?
Quando você imagina que está em um outro lugar que não é o onde você realmente se encontra, meu amigo, tenha certeza de que você pensa alto.
Se por acaso, estiver conversando com um amigo e de repente a sua mente se transporta para outra dimensão, seja para Vênus,Jupter ou Plutão. Meu amigo, você pensa alto.
Uma notícia na tv trágica ou plausivel de reflexões criticas e complexas com outros assuntos e temas tomam o seu inconsciente de forma imediata, sim, você pensa alto.
Mas, se por acaso você for professor de História e estiver ensinando reforma religiosa e resolver assistir RR Soares para entender o significado do protestantismo atual, não se assute. Pior seria se em um momento você adormecesse e subtamente acordasse com uma lágrima petrificada em seus olhos. Calma! Você não se converteu, ainda...
Agora, se escrever te faz pensar, sonhar e organizar as idéias de maneira clara e objetiva, não ligue para lágrima petrificada do programa religioso. Abrace a idéia, sinta-se à vontade e lembre-se que além de você pensar alto, você VOA!

A política de segurança a base de tiros e mortes. O caso pouco comentado do Morro do Alemão no RJ

Não dá para permanecer estático a ação da polícia no Rio de Janeiro, mascarada em uma política de segurança voltada para a marginalização das favelas e moradores de comunidades. Desde o mês de maio até o mês de junho de 2007 o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, que abriga mais de 13 comunidades com o saldo de 250 mil moradores, sofreu uma operação policial de ocupação à favela, por inicativa do departamento especial da polícia militar: a Bope, que envolveu uma ação com 1.350 políciais. Com o objetivo de fazer a limpa no tráfico e na influência de bandidos na comunidade, a polícia na verdade acabou por executar uma chacina onde 44 pessoas foram mortas e 78 foram feridas. A atitude que envolve uma ocupação está diretamente relacionada a uma questão de segurança, que antes de qualquer intervenção voltada para morte de civis inocentes, envolva uma política voltada para o direito e também para cidadania da população atacada. Porém, o olhar à população pobre carioca, e principalmente aos moradores de favela é de total repúdio, tantos das autoridades que deveriam se envolver com ações educativas e passifistas para desviar as crianças do tráfico - como muitos moradores têm feito através da fundação de ONGs com objetivos artísticos e culturais; como também os próprios cidadãos deveriam se manisfestar a partir de um olhar crítico e analitico em relação ao sensacionalismo e a própia política de segurança característica de atitude repressivas. Acredito que a intervenção militar tem aproximado e muito as ações policias a atitudes repressivas e autoritárias como as antigas ações do DOPs em tempos de ditadura nos anos 1960/70. Imaginar que muitas pessoas inocentes foram mortas por políciais e torturadas apenas por serem moradores da favela e terem no mesmo espaço que conviver com o tráfico, é realmente inaceitável em tempos de exercício democrático. Segundo uma reportagem da revista Caros Amigos/ agosto de 2007 "Complexo do Alemão: entre a perversidade da mídia e a perversidade da polícia", uma perícia médica reveleou que em uma ação de 78 tiros, 19 inocentes foram mortos com sinais de tortura e bala nas costas.Uma das vitimas, de apenas 14 anos, estava indo visitar a tia quando foi atacado pelos políciais da Bope. Imaginar que a própria polícia invade a comunidade com frases saídas do auto-falenate do caveirão dizendo: "Vim buscar a sua alma", possibilita o rascíonio, que o tipo de politica de segurança carioca não procura apenas higienizar as favelas do tráfico, mas também isola-las do convívio social, na medida em que tais atitudes determinam a criação de uma imagem completamente marginalizada e estigmitizada destes espaços sociais. Um exemplo desta afirmativa, é a dificuldade dos moradores em conseguir emprego, onde muitos não colocam o verdadeiro endereço, e de receber mercadorias, pois as empresas não entregam os produtos alegando que estes locais são classificados como "áreas de risco". Acredito que esteja na hora da sociedade pensar em outras alternativas que não sejam a de permanecer "cansadinhos" - como muitos atores e atrizes tem feito aderindo ao movimento Cansei; e pensar em alternativas para combater a violência a partir de políticas inclusivas que integrem o cidadão à sociedade, e retire as crianças da vulnerabilidade do tráfico, já que o tráfico como profissão é visto como uma forma de conseguir dinheiro rápido e trabalho. O primeiro passo está em não se acomodar a este tipo de situação, nem tão pouco se acovardar. Lutemos por nossos direitos, isso significa uma política de segurança onde nós todos estejamos seguros e não coagidos ou vitimizados pela violência de nossa guerra civil urbana.