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6 de março de 2008
O Cortejo de D. João VI!
No dia 8 de março de 1808 a corte portuguesa desembarca no Brasil, escolhendo o Rio de Janeiro como capital do Império Ultramarino Português. O mito da riqueza e luxo da corte real portuguesa navegava o extenso oceano Atlântico, no entanto após os três meses de viagem e privação os luxos foram tomados por uma epidemia de piolhos, e também pelo calor dos trópicos.
Antes de D. João VI a cidade do Rio de Janeiro não contava com uma estrutura urbana sólida, a economia funcionava em torno da produção da cana de açúcar e do ouro que era escoado pelos portos de Parati beneficiava, assim como, o tráfíco de escravos onde a população de negros africanos que aportavam na Praça Mauá – antigo Valonguinho, mercado de escravos, aumentava cada vez mais, de acordo com a exigência dos colonizadores para todo o trabalho e mão de obra.
A chegada da corte em nada modificou as relações sociais pautadas em hierarquias sociais que privilegiam a nobreza e a escravidão, no entanto, contribuíram para um avanço na estrutura da cidade carioca, que sofreu um grande investimento para alimentar os hábitos da corte real. Casas de banho, o Banco do Brasil, o Jardim Botânico, e acordos que abriram os portos às nações amigas em 1810 possibilitaram ao Rio de Janeiro o aumento da sua função de capitalidade.
A alegria dos cariocas do século XIX foi tamanha em função do encontro com a corte, que muitos antes deste festival de investimentos deixaram suas casas para garantir ao rei melhores instalações sob as siglas de “Príncipe Regente”, onde bem humorados a população traduzia a desgraça por “Ponha-se na Rua”!
18 de janeiro de 2008
De Saint Louis para São Luís: a história de uma cidade
Tombada como Patrimônio Histórico Cultural da Humanidade pela Unesco em 1997, todo o sítio historio que contempla o centro da cidade de São Luís passou a consagra-se uma memória arquitetônica de construções que datam do século XVII ao século XIX a história colonial do Brasil.
A história da cidade inicia coma exploração de colonizadores luso- açorianos , proveniente de povoamentos das ilhas açorianas do norte de África, descritos por um padrão cultural particular que misturou-se aos costumes indígenas e a própria forma de sobrevivência dos índios – primeiros habitantes destas terras.
O Maranhão sempre teve uma grande importância comercial e de circulação de mercadoria e pessoas, mas até fixar-se como colônia os portugueses travaram uma séria batalha com os franceses. Os franceses aportaram em São Luís em 1594, desenvolvendo relações amigáveis com os indígenas e interessados no comércio de madeiras e de tintas para tingimento dos tecidos. A França pretendia fundar a França Equinocial, e em 8 de setembro de1612 batizou a ilha de Saint Louis.
As expedições portugueses iniciadas em 1554 haviam sido fracassadas muitas vezes por naufrágio ou ataques indígenas. O sumisso do rei português D. Sebastião I em uma batalha no Marrocos, determinou a falta de segurança nas novas terras, facilitando o domínio francês. Apenas a partir de 1580 com a União Ibérica, que os portugueses vão travar uma guerra contra os franceses e expulsa-los da região em 1615 sob o comando de Alexandre Moura. A partir de então a cidade passa assumir novas leis da coroa portuguesa à frente da Câmara Municipal e das funções administrativas.
O curioso da formação da cidade de São Luís é o crescimento da malha urbana e comercial nas proximidades da baia da Praia Grande, que abrigava uma grande circulação de barcos, pessoas e mercadorias. As embarcações locais sofrerem uma influencia direta da cultura indígena que ditava a utilização dos recursos da natureza, mas também sofria com a escravidão e cristianização. Os índios que eram alforriados e civilizados tinham direito de participação na câmara municipal.
Os negros africanos foram sendo introduzidos de acordo com o crescimento das fazendas de cana de açúcar e do próprio tráfico negreiro. As festas dos negros africanos se misturavam as festas portuguesas que agregavam os batuques dando origem ao conhecido tambor de criola.
Apesar da forte tentativa portuguesa de desenvolver São Luís, as invasões holandesas determinaram uma guerra civil em 1641 que destruiu a cidade. A defesa da cidade, fortaleceu o sentimento de pertencimento de indígenas e portugueses criando novas leis, como a do direito dos índios de gozar da liberdade e viver em aldeias.
O desenvolvimento arquitetônico da cidade vai mudando do século XVII para o século XIX de acordo com o desenvolvimento econômico da cidade e também dos novos colonos oriundos da Europa e imigrantes de outras partes do mundo.
Um passeio que vale a pena não só pela percepção de um novo espaço, mas também da memória de outros tempos.
Alcântara: um continente com cara de ilha.
Cidade vizinha de São Luís, distante algumas horas de barco a 1h:30min na Baía de São Marcos, Alcântara cresceu em uma antiga aldeia indígena Tupinambá, mas elevou-se a vila por meio da interferência jesuítica que havia fundado as missões em Tapuitapera. Foi em 1648 que batizada pela igreja e pelo governo português, passou a chamar-se Vila de Santo Antônio de Alcântara.
Em Alcântara, o crescimento populacional e a circulação de pessoas interessadas no comércio de produtos da Amazônia no século XVII, não foi responsável pela perda das tradições de lugarejo e resquícios da colonização luso-açoriana que trouxe escravos africanos, a câmara municipal, a cadeia e novas leis administrativas.
Chegar em Alcântara em pleno século XXI e encontrar remanescentes culturais e antigas histórias é simplesmente fantástico, principalmente relacionando-os com os processos históricos que determinaram novas realidades, como o Banco dos Quilombolas. Com a construção da base de foguetes em Alcântara, os quilombolas que nas proximidades da cidade viviam tiveram que ser remanejados pelo governo. Diante das estruturas econômicas auto-suficientes abaladas, o governo resolveu criar uma moeda para a comunidade para a venda e troca dos excedentes. O Guará: dinheiro dos quilombolas vale R$1 e pode ser trocado em bancos de Alcântara e São Luís.
Não são só as histórias que atraem na cidade, mas o belo mangue que toma conta de Alcântara, e junto com as secas e vazantes da maré dão uma característica única a paisagem. Foi nesta região de igarapés que o pássaro vermelho Guará pode ser visto se alimentando dos filhotes de caranguejo vermelho. Os guarás nascem brancos e quando comem os caranguejos vermelhos adquirem a pigmentação vermelha. Um espetáculo a parte da natureza!
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