O município de Raposa integra-se a rota turística do Estado maranhense pela beleza de suas praias e também pelas tradições locais encontradas na figura das rendeiras e pescadores de rede. A viagem dura em média 1h e 30 min, saindo de São Luís do Mercado Central no centro histórico, pegando o coletivo “Raposa/ Aragacy”. O aspecto rural torna-se corriqueiro após o distanciamento do perímetro urbano.
A cidade de Raposa concentra-se em uma longa rua onde as casas ocupam irregularmente o mangue e as proximidades da praia. Na orla da cidade os barcos são atracados e é de lá que os turistas fazem o passeio.
Mas, o que realmente chama atenção é a pobreza que ronda a pequena cidade determinada pela própria economia local, sumamente pesqueira e artesanal. As rendeiras fazem de suas casas a loja e o ateliê, onde é possível vê-las trabalhando, junto aos homens que também costuram redes de pescas e redes de dormir.
Apesar da humildade descrita nestas economias tradicionais, esta foto revela o desconhecimento da educação e informação, diante de tanto lixo acumulado e trazido pelas marés abaixo das palafitas. Mesmo sendo um lixo sólido, que poderia ser aproveitado e separado pelos moradores conjuntamente com uma ação com a prefeitura, muitos animais circulam no local como cachorros, gatos, propiciando a proliferação de doenças junto a ratos e baratas, em um espaço onde as crianças são vistas brincando nuas no chão das ruas.
É prefeito Paraíba, de que adianta atrair turistas para a circulação de uma economia engessada perante tanta negligência com a população local? O interessante é trabalhar com a comunidade e compreender a economia local colocando estas pessoas como sujeitos do processo e não como mero espectadores. A ocupação irregular dos mangues deve ser revista em função da área ambiental e também do lixo trazido pela maré. A população deve ser educada a compreender o espaço e a realidade a qual estão inseridos, e isso não é um dever do Estado, é apenas um direito de todos.
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18 de janeiro de 2008
LIXO NO LIXO?
O município de Raposa integra-se a rota turística do Estado maranhense pela beleza de suas praias e também pelas tradições locais encontradas na figura das rendeiras e pescadores de rede. A viagem dura em média 1h e 30 min, saindo de São Luís do Mercado Central no centro histórico, pegando o coletivo “Raposa/ Aragacy”. O aspecto rural torna-se corriqueiro após o distanciamento do perímetro urbano.
A cidade de Raposa concentra-se em uma longa rua onde as casas ocupam irregularmente o mangue e as proximidades da praia. Na orla da cidade os barcos são atracados e é de lá que os turistas fazem o passeio.
Mas, o que realmente chama atenção é a pobreza que ronda a pequena cidade determinada pela própria economia local, sumamente pesqueira e artesanal. As rendeiras fazem de suas casas a loja e o ateliê, onde é possível vê-las trabalhando, junto aos homens que também costuram redes de pescas e redes de dormir.
Apesar da humildade descrita nestas economias tradicionais, esta foto revela o desconhecimento da educação e informação, diante de tanto lixo acumulado e trazido pelas marés abaixo das palafitas. Mesmo sendo um lixo sólido, que poderia ser aproveitado e separado pelos moradores conjuntamente com uma ação com a prefeitura, muitos animais circulam no local como cachorros, gatos, propiciando a proliferação de doenças junto a ratos e baratas, em um espaço onde as crianças são vistas brincando nuas no chão das ruas.
É prefeito Paraíba, de que adianta atrair turistas para a circulação de uma economia engessada perante tanta negligência com a população local? O interessante é trabalhar com a comunidade e compreender a economia local colocando estas pessoas como sujeitos do processo e não como mero espectadores. A ocupação irregular dos mangues deve ser revista em função da área ambiental e também do lixo trazido pela maré. A população deve ser educada a compreender o espaço e a realidade a qual estão inseridos, e isso não é um dever do Estado, é apenas um direito de todos.
Olhares de um maranhense: “As enchentes e as casas suspensas por Jiraus”.
A rotina do lugarejo Bom Que Dói só foi quebrada com as primeiras chuvas de janeiro, que encheram o lago e inundaram completamente o povoado. No inicio, as pessoas permaneciam em casa, na esperança de que parasse de chover. Logo chegaram à conclusão de que não haveria estiagem e era impossível permanecer nessa situação, pois os mantimentos estavam escasseando. Foram obrigados a executar tarefas para não ficarem a mercê do aguaceiro torrencial que caía diariamente. As canoas utilizadas na pesca passaram ser um meio de transporte.
Muitos animais domésticos morreram afogados e eram arrastados pelas correntezas.
As casas completamente inundadas tiveram que ser adaptadas, com a construção de jiraus suspensos de madeira. Os homens trabalhavam em mutirão, transportando madeira nas canoas. Em poucos dias o lugar tomou forma.
Entretanto, aconteceu um fato que trouxe preocupação aos pais das crianças de Bom Que Dói, é que elas passavam o dia inteiro nadando com peixes, numa prática arriscada de vida.
Quando, altas horas da noite, os pais davam ausência dos filhos, iam procurá-los e os encontravam dormindo debaixo d’água, em completo estágio de felicidade, como se tudo fosse normal. Os meninos já tinham escamas e barbatanas como os peixes, e as meninas desenvolveram caudas como as sereias, e cantavam lamentos de amor ao anoitecer.
Depois de seis meses, as águas foram baixando e o povoado voltou a ter a sua forma original, a não ser pela mudança do estilo das casas que permaneceram com jiraus suspensos, visto que os habitantes receavam que as chuvas pudessem voltar e alagassem as ruas.
Recuperaram as lavouras e voltaram às atividades normais de pesca no lago, que produzia em grande quantidade.
(Gilmar Pereira dos Santos In: “Nas Terras de Bom Que Dói”)
Quer saber mais sobre a região?
Bibliografia:
• MARTINS, Ananias. “São Luís. Fundamentos do Patrimônio Histórico. Séc. XVII, XVIII e XIX”. São Luís: Sanluiz,2000.
• Pereira, Gilmar Santos. “Nas Terras de Bom Que Dói ”. São Luís: 2007. 48p.
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